Por Alexandre Jatobá*
O IBGE divulgou hoje em forma de release o Atlas do Saneamento 2011, que traz uma comparação entre os dados de 2000 a 2008. Embora seja ressaltado um pequeno avanço no número de municípios cobertos pelos serviços de esgotamento sanitário, as diferenças regionais permanecem. Observa-se que o Nordeste e Norte ainda estão muito atrasados se comparados ao Sudeste.
Em 2008, 55,2% dos municípios brasileiros contavam com a presença de alguma rede coletora de esgoto (em 2000 esse percentual era de 52,3%). Mas comparando-se o Norte e Nordeste ao Sudeste vê-se uma disparidade impressionante. Enquanto no Nordeste há alguma presença de rede coletora de esgoto em 45,7% dos seus municípios, no Sudeste este percentual é de 95,1%. No Norte, apenas 13,4% dos municípios tem alguma rede coletora de esgoto. Em termos de número de domicílios ligados à rede de saneamento básico, no Norte e Nordeste há ligação em apenas 3,5% e 21,9% dos domicílios, respectivamente. No Sudeste, este percentual é de 69,8%. O pior dessa estória toda é que, segundo o IBGE, os destaques em termos crescimento da rede de saneamento básico são o São Paulo (as maiores cidades do interior e a capital), o Triângulo Mineiro, as cidades de Goiânia e Brasília e as maiores cidades do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Do Norte e Nordeste foram destacados apenas os eixos Manaus-Santarém e Belém-Marabá-Imperatriz.
Além disso, ter rede de esgoto, não significa necessariamente que o esgoto é tratado. Apenas 29% dos municípios brasileiros têm algum sistema de tratamento de esgoto instalado. No Sudeste a média deste indicador é de 48% (com São Paulo a 78%). No Nordeste os destaques “positivos” são o Ceará (39%) e Pernambuco (28%). Os negativos são Piauí (2%) e Maranhão (1%), os piores resultados do país. Já que estamos falando de saneamento básico, podemos dizer (com o perdão da palavra) que ainda estamos na m... .
Obs: Vale ressaltar que não trouxemos mais dados ao texto porque o IBGE, que fez a pesquisa com recursos públicos, ainda não tornou pública a base de dados.
*Alexandre Jatobá é Mestre em Economia pela UFPE.