Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina
Mostrando postagens com marcador fmi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fmi. Mostrar todas as postagens

Incertezas na economia global.

{ Posted on 13:12 by Edmar Lyra Filho }
Por Fernando Henrique Cardoso*

Para quem já sofreu as consequências de várias crises financeiras internacionais, não chega a ser surpreendente o que acontece nos países mais desenvolvidos da Europa.

No passado recente, o receituário do FMI sempre se mostrou desatento às diferenças nacionais. Fazia ouvidos moucos à demanda por maior regulação do mercado financeiro internacional. Era o que pedíamos à comunidade internacional os que dirigimos os países naquela época de aflições.

Reclamávamos maior regulação internacional para conter a especulação contra as moedas nacionais, incluindo a criação de fundos de socorro maiores e de mais fácil acesso.

Alguns países emergentes tiveram melhores condições para enfrentar as turbulências econômicas, como foi o caso do Brasil. Com o Plano Real modificamos drasticamente as bases da política fiscal, saneando as finanças da União e as dos Estados, impusemos regras severas ao sistema financeiro, seguindo as recomendações de Basileia para controlar a “alavancagem”, isto é, os empréstimos sem uma base adequada de capital próprio nos bancos.

Ao lado disso, desde 1994 até hoje, os diferentes governos sustentaram um aumento constante do salário mínimo real e, a partir de 2000, foi possível criar uma rede de proteção social, da qual as Bolsas Família, iniciadas com nomes diferentes, se tornaram símbolo de inclusão social, diminuindo a pobreza e reduzindo um pouco as desigualdades.

Pela primeira vez os países mais desenvolvidos sentem as consequências da falta de regulação do sistema financeiro. Olhando o que ocorre na economia global, deparamo-nos com uma situação incerta. Cada banco central opera como melhor lhe parece.

O Fed inunda os EUA e o mundo com dólares e faz operações típicas de bancos comerciais sem se preocupar com a ortodoxia. Os responsáveis pelos desmandos financeiros não são punidos, recebem bônus (ao contrário do que ocorreu com o PROER, o programa brasileiro de saneamento do sistema financeiro, que puniu os banqueiros).

O Banco Central Europeu e o FMI exigem dos países em bancarrota virtual sacrifícios fiscais que impossibilitam a retomada do crescimento. Na Europa cada país faz a política fiscal que deseja, não há mecanismos de unificação. O desemprego e o mal-estar político minam esses países e a ameaça de default é sua parceira constante.

Desse quadro escapam as economias emergentes, China à frente de todas. Até quando?

É óbvio que uma recessão prolongada transmitirá às economias emergentes seus maus fluidos pelo conduto do comércio internacional. É preciso, antes que isso ocorra e o desastre seja maior, que haja um entendimento global.

Este deveria partir do reconhecimento de que as dívidas de alguns dos países europeus são impagáveis. É preciso aliviar já a situação da Grécia, de Portugal e, eventualmente, da Espanha e da Itália. Suas dívidas internas e externas e a penúria de seus bancos cheios de títulos de qualidade desconhecida não lhes dão alternativas de retomada do crescimento sem uma redução substancial dos valores de seus passivos.

Não haverá condições político-morais para proceder a tais reestruturações sem, ao mesmo tempo, distribuir melhor o custo da “socialização das perdas”. O grito de Warren Buffet, seguido por milionários de outros países, mostra o descalabro do Tea Party ao querer impor mais ônus aos mais pobres.

Por fim, ou o euro se derrete pela falta de unificação fiscal, ou esta se faz, ou a União Europeia se encolhe, autorizando alguns de seus membros a desvalorizar e usar outra vez uma moeda nacional.

Nada disso pode ser feito sem lideranças políticas fortes, dispostas a redistribuir o poder global e reorganizar suas bases decisórias. Terão força para tanto? Eis o enigma.

*Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e foi presidente da república entre 1995 e 2002.

FMI projeta crescimento do PIB brasileiro em apenas 3,8% e inflação a quase 7%.

{ Posted on 17:16 by Edmar Lyra Filho }
Do Estadão


Em seu mais recente relatório sobre a economia mundial, divulgado nesta terça-feira em Washington, o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu para 3,8% a projeção de crescimento para o Brasil neste ano. As incertezas sobre a recuperação da economia mundial também provocaram uma rodada de revisões nas expectativas para a expansão global.

De acordo com as previsões reunidas no relatório World Economic Outlook ("Perspectivas da Economia Mundial", em tradução livre), o Brasil terá o segundo menor crescimento na América do Sul neste ano, ficando atrás somente da Venezuela (com previsão de 2,8%) e abaixo da média da região, de 4,9%.

Segundo o FMI, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro também será menor que a média prevista para as economias emergentes e em desenvolvimento (6,4%) e para o crescimento global como um todo (4%), mas ainda ficará à frente da previsão para as economias avançadas, de apenas 1,6%

A nova estimativa representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à previsão anterior do FMI, de 4,1%, divulgada em junho, e está abaixo da expectativa do governo brasileiro, mas ainda acima do esperado pelo mercado.

Apesar de, oficialmente, o governo brasileiro ainda manter a expectativa de crescimento de 4,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, a própria presidente Dilma Rousseff já declarou recentemente que o governo faria "um esforço para chegar a 4%, quatro e pouco (%)".

O mercado é menos otimista e, o mais recente Boletim Focus (levantamento semanal do Banco Central com base em consultas ao mercado), divulgado na segunda-feira, reduziu pela sétima semana consecutiva sua projeção de crescimento para a economia brasileira, passando de 3,56% para 3,52%.

Para 2012, o FMI manteve inalterada sua projeção para o crescimento da economia brasileira, em 3,6%, ligeiramente abaixo dos 3,7% previstos pelo mercado.

Inflação

O FMI afirma que, no geral, a perspectiva para as economias emergentes voltou a ser "incerta", em parte como reflexo de um cenário mundial menos favorável, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

No Brasil, economistas já vêm apontando a piora no cenário externo como um dos fatores para o crescimento menor, ao lado da desaceleração na indústria, provocada especialmente pela valorização do real frente ao dólar e das medidas adotadas pelo governo para conter a inflação.

O Banco Central do Brasil espera trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% (com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo), até o fim de 2012.

A projeção do FMI, no entanto, é de que a inflação brasileira chegue a 6,6% em 2011 - acima dos 6,46% projetados pelo mercado e levemente acima do teto da meta, de 6,5% - para retroceder a 5,2% em 2012 (abaixo dos 5,5% previstos pelo mercado).

Riscos

Assim como em relatórios anteriores, o FMI voltou a apontar riscos do rápido aumento do crédito e de preços e da forte entrada de capital estrangeiro verificados no Brasil e em muitas economias da América Latina após a crise mundial de 2008.

"É necessário manter a vigilância para limitar os riscos à estabilidade financeira", diz o relatório.

Ao citar o Brasil ao lado de outros emergentes que enfrentam problemas semelhantes, o FMI afirma que "os riscos à estabilidade financeira em todas essas economias devem ser monitorados por algum tempo, devido ao grande volume de crescimento de crédito nos últimos cinco anos".

No caso do Brasil, medidas para restringir a concessão de crédito estão entre as ferramentas usadas pelo governo para tentar controlar a inflação.

Desde 2010, o governo também já adotou diversas medidas para tentar conter o fluxo excessivo de capital estrangeiro, que provoca a valorização do real frente ao dólar e acaba reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.

O FMI reconhece essas medidas adotadas pelo governo, mas recomenda que o Brasil e outros países também tenham como uma de suas prioridades a reversão do deficit público. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina