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Frente realiza panfletagem hoje.

{ Posted on 13:53 by Edmar Lyra Filho }
Às 16h de hoje, a Frente Contra Energia Suja realiza panfletagem na Avenida Agamenon Magalhães, em frente à Praça do Derby, a fim de envolver mais a população na discussão sobre os riscos da instalação de uma termoelétrica em Suape movida a óleo combustível. Integram o movimento o deputado federal Raul Henry, o deputado estado Daniel Coelho, o presidente do PSOL, Edilson Silva, e o professor da UFPE Heitor Scalambrine.

Todos os participantes da Frente têm se mobilizado, de várias formas, para barrar a instalação da termoelétrica III, anunciada pelo Governo do Estado como "a maior usina do mundo". O detalhe é que o projeto previa a construção de cinco usinas em quatro Estados, mas, diante das dificuldades encontradas para obter licença ambiental em outros locais, Pernambuco acabou ficando com o empreendimento inteiro.

Na semana passada, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, a pedido de Daniel Coelho, realizou audiência pública para tratar do assunto, mas não apareceu ninguém da Secretaria de Meio Ambiente do Estado ou da CPRH para debater o tema. Na ocasião, os participantes da Frente defenderam não haver qualquer vantagem que justifique a instalação desta usina, nem do ponto de vista econômico, nem técnico, nem social.

Frente contra energia suja é lançada em Pernambuco.

{ Posted on 18:54 by Edmar Lyra Filho }
Foi realizado na noite desta segunda-feira, 3 de outubro, no Sindicato dos Médicos de Pernambuco/SIMEPE o ato de lançamento da Frente Contra a Energia Suja em Pernambuco. Estiveram presentes o deputado federal Raul Henry, o presidente estadual do PSol, Edilson Silva, representantes dos deputados estaduais Betinho Gomes e Daniel Coellho, do presidente estadual do PPS, Raul Jugmann, do Fórum Estadual de Reforma Urbana, do Movimento Eco Vida do Cabo de Santo Agostinho e da ONG Ame a Terra, membros do Movimento Ecossocialista de Pernambuco e um grupo de estudantes.

Inicialmente, o deputado Raul Henry falou sobre a representação que havia protocolado horas antes junto ao Procurador da República de defesa das Tutelas Coletivas, para que ocorra uma apuração do cometimento de gravíssimo crime ambiental, caso seja instalada em Pernambuco a Termelétrica Suape III.

O professor Heitor Scalambrini Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, analisou os impactos da termoelétrica a óleo combustível prevista para ser instalada em Pernambuco. Em sua apresentação ele enfatizou "Pernambuco nao precisa desta usina, e uma decisao no minimo equivocada. A energia gerada e cara, agride o meio ambiente e provoca emissoes danosa a saude das pessoas".

Logo em seguida a palavra franqueada às pessoas presentes que propuseram vários encaminhamentos. A próxima reunião da Frente Contra a Energia Suja em Pernambuco será realizada no dia 17 de outubro (segunda-feira), as 19h:30m, no SIMEPE. Foram sugeridos e criados alguns grupos de trabalho para a mobilização até a próxima reunião, dentre eles o de mobilização parlamentar, mobilização sindical, mobilização do movimento ambientalista, mobilização empresarial (do setor turístico) e mobilização da imprensa.

Outra decisão tomada na reunião foi a de agendar audiências da Frente com Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife (nascido no Cabo de Santo Agostinho) e com o presidente da Fiepe. Também foi recomendada a criação de um evento no facebook para a reunião do dia 17/10.

Os presentes foram convidados a participar do Ato Público de Protesto contra a Termelétrica a ser realizado no dia 07 de outubro (sexta-feira), às 9 horas, na Praça da Estação Ferroviária do Cabo de Santo Agostinho, que está sendo organizado pelo Fórum das Entidades do Cabo e o Movimento Eco Vida.

Governo traz para Pernambuco a maior usina suja do mundo.

{ Posted on 14:26 by Edmar Lyra Filho }
Por Heitor Scalambrini Costa

Já esta se tornando lugar comum, com toda pompa e marketing político, os anúncios bombásticos feito pelo governador de Pernambuco a respeito da chegada de novas empresas que vem para aqui se instalar, quase sempre em alguma cidade no entorno do complexo industrial e portuário de Suape.

A imprensa saúda o progresso chegando, o dinamismo da economia pernambucana. Três palavras chaves são abusadamente utilizadas e propagandeadas aos quatro ventos, justificando e anestesiando a população em geral e os setores da elite local, que de dia cantam loas a necessidade de proteger a natureza, o meio ambiental, mas na calada da noite, estimulam, promovem e saqueiam as matas, os rios e o ar que respiramos. Progresso, criação de postos de trabalho e geração de renda, bendita seja esta tríade que consegue calar toda uma população, e consentir que a geração futura pague um alto preço pela irresponsabilidade de alguns, mas com o consentimento de muitos.

Pernambuco é um exemplo de que estamos acelerando em marcha a ré, na contra mão de oferecer melhor qualidade de vida ao seu povo, e perdendo a oportunidade de mudar o paradigma atual, baseado no chamado “crescimento predatório”, que utiliza argumentos do século passado de que o “novo ciclo de desenvolvimento (?)” é a “redenção econômica do Estado (?)” e assim exige o “sacrifício ambiental”. Palavras entre aspas ditas pelos gestores públicos que tentam confundir, como um discurso pela busca de sustentabilidade entre empresas e governo, mas que aumenta o consumo e a produção de energia suja.

Não bastasse a devastação dos últimos resquícios de mata atlântica, de manguezais, das florestas naturais, da poluição dos rios, agora o Estado atrai e apóia a instalação de termoelétricas a óleo combustível, o combustível mais sujo para produzir eletricidade dentre os derivados de petróleo, perdendo somente para o carvão mineral no ranking de maior emissor de gases que provocam o efeito estufa, ou seja, o aquecimento global, correspondente ao aumento da temperatura média da Terra causador das temidas mudanças climáticas.

A termelétrica anunciada com a maior usina do mundo que pretende se instalar no Cabo de Santo Agostinho terá uma potência instalada de 1.452 MW, ou seja, a metade da hidroelétrica de Xingó, produzirá anualmente, caso funcione ininterruptamente, em torno de 8 milhões de toneladas de CO2. Além de outros gases altamente prejudiciais a saúde humana. Este cálculo estimado é possível, levando em conta que para cada 0,96 m3 de óleo consumido na termelétrica, 3,34 toneladas de CO2 são produzidos, segundo a Agência Internacional de Energia. Já para a termelétrica Suape II, que já tem mais de 70% das obras construídas, infelizmente também no município do Cabo, a emissão anual desta instalação será de pelo menos 2 milhões de toneladas de CO2. Portanto no município vizinho a Recife, no Cabo, estas duas usinas em funcionamento emitirão em torno de 10 milhões de toneladas de CO2, pouco menos de 1 milhão de toneladas todo mês, e pouco mais de 30.000 toneladas por dia. Será que é este o “desenvolvimento” desejado pelos habitantes do Cabo e de Pernambuco?

Este tipo de instalação industrial que para produzir eletricidade queima óleo, semelhante ao utilizado para movimentar navios, esta tendo enormes dificuldades em conseguir se instalar no sul/sudeste do país, devido às dificuldades impostas para obterem as licenças ambientais, necessárias para tal empreendimento. Acabam vindo para nossa região, pois aqui é conhecida a frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle, fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, tais como a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, ligada a recém criada Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Fica mais uma vez demonstrado que em Pernambuco o crescimento econômico não combina com preservação ambiental. O atual governo do estado dá sinais claros de sua total falta de compromisso com as questões ambientais e com as gerações futuras, que sem dúvida é o maior desafio atual de nossa civilização.

Enquanto aqui se perpetua um modelo de crescimento econômico predatório, insustentável, alicerçado no uso de combustíveis fósseis, inimigo numero 1 e responsável maior pela emissão dos gases causadores do efeito estufa, o mundo discute como acelerar o uso de fontes renováveis de energia (solar, eólica, biomassa, energia dos oceanos) para atender a sua demanda energética com menor agressão ambiental.
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