O papel da oposição
Entrevista: Sérgio Guerra
2012 é logo ali.
Segurança e eficiência energética.
A segurança energética é um fator prioritário para o país e somente aumentará com a diversificação da matriz energética com o uso de fontes energéticas renováveis.
Do ponto de vista da produção de energia, segundo a Empresa de Planejamento Energético-EPE, o país tem folga no abastecimento, e pode suprir as necessidades de energia elétrica, com as atuais taxas previstas de crescimento, para os próximos anos.
Portanto não existe relação direta entre os atuais apagões, que tem ocorrido freqüentemente no país todo, com a necessidade da instalação de mega-hidroelétricas e de usinas nucleares para evitá-los.
Como que se os atuais apagões fossem decorrentes do desabastecimento, e novamente repetiríamos 2001/2002.
O fundamento principal para a construção de novas usinas de geração é de que existe uma previsão de crescimento da economia (sem que se questione a natureza do crescimento) e de que, em função disso, há necessidade de se ofertar mais energia para atender a esta demanda, construindo assim novas usinas.
Projeções do consumo futuro de energia dependem do tipo de desenvolvimento e crescimento econômico que o país terá. Existem vários questionamentos sobre os cálculos oficiais que apontam para taxas extremamente elevadas de expansão do parque elétrico brasileiro para atender a uma dada demanda.
O que essa previsão esconde é o fato de praticamente 30% da energia elétrica ofertada pelo país ser consumida por seis setores industriais apenas: cimento, siderurgia, produção de alumínio, química, o ramo da metalurgia que trabalha com ferro e papel/celulose.
São exatamente estes setores que elevam o consumo da energia elétrica para cima, os chamados setores eletro-intensivos. Precisamos urgentemente discutir no planejamento energético dois pontos: energia para quê? E para quem? Temos de fugir dessa idéia míope de discutir qual a melhor fonte.
A melhor fonte de energia é aquela que não é consumida. Não consumir energia significa ter uma política de aumento da eficiência energética, situação da qual estamos muito longe ainda. Os resultados oficiais apresentados nesta área são pífios.
No Brasil, o consumo de energia per capita ainda é pequeno e é indispensável que cresça para promover o desenvolvimento sustentável. No entanto, nada impede que o uso de tecnologias modernas e eficientes sejam introduzidas logo no início do processo de desenvolvimento, acelerando com isso o uso de tecnologias eficientes (aquecimento solar da água, eletricidade solar, geradores eólicos, geração distribuída,... ).
Contrapondo assim ao pensamento de que, para haver desenvolvimento, é preciso que ocorram impactos ambientais, devido à geração, transporte e uso da energia.
A conservação com o uso eficiente de eletricidade reduz o consumo e posterga a necessidade de investimentos em expansão da capacidade instalada, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados aos usuários finais.
Exemplos ocorridos em outros países nos anos 80, particularmente nos EUA demonstraram este. A eficiência energética é, sem dúvida, a maneira mais efetiva de, ao mesmo tempo reduzir os custos e os impactos ambientais locais e globais, suportando assim, conjuntamente com as fontes energéticas renováveis solar, eólica e biomassa; a segurança energética do país.
*Professor da Universidade Federal de Pernambuco.
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Aécio Neves e uma oposição que se impõe.
O 'facismo do bem'
Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: "Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados..." E ri.
A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores "do bem", da patrulha dos "progressistas", da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível... Mas era Lula!
Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.
Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.
Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.
A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.
Ora, sou a favor de tudo isso - e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.
Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele - eu, um intolerante "do bem"; ele, um intolerante "do mal". Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.
O mais curioso é que muitos dos líderes do "Cassa e cala Bolsonaro" se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do "bem" pode?
Quando Lula apontou os "louros de olhos azuis" como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.
Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.
Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.
E tudo em nome da liberdade e da democracia...
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E o guerreiro se foi...
Vai em paz, Alencar. Fica com Deus, guerreiro.
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Eletricidade nuclear e as tarifas.
Os impactos do desastre nuclear na central de Fukushima, no Japão, devem ter efeito imediato nos preços das centrais projetadas no mundo e no Brasil. A exigência de sistemas de segurança mais eficientes e uma alta no preço dos seguros tendem a encarecer ainda mais a eletricidade nuclear.
Os custos de uma usina nuclear crescem proporcionalmente com o nível de confiabilidade e segurança exigidos. Quanto menores forem os investimentos na confiabilidade e segurança do suprimento energético, maior será a exposição aos riscos das catástrofes naturais, das falhas humanas e das falhas mecânicas e elétricas que podem ocorrer na instalação. Após este acidente no Japão, especialistas confirmam a necessidade de novos esforços tecnológicos para aumentar a segurança das instalações.
No Brasil, verifica-se que as condições de financiamento de Angra 3 são controversas, já que a Eletronuclear assumiu uma taxa de retorno para o investimento entre 8% e 10% - muito abaixo das praticadas pelo mercado, que variam de 12% a 18%. Somente uma taxa de retorno tão baixa pode viabilizar a tarifa projetada de R$ 138,14/MWh anunciada pelo governo federal para essa usina. A operação a baixas taxas de juros revela o subsídio estatal à construção de Angra 3. Os subsídios governamentais ocultos no projeto dessa usina nuclear são perversos, porque serão disfarçados nas contas de luz. Se isso se verificar quem vai pagar a conta seremos nós os usuários, que já pagamos uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.
Ainda no caso de Angra 3, a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW desta usina subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW.
A título de comparação, a energia da hidrelétrica de Santo Antônio, foi negociada a uma tarifa de R$ 79/MWh, a hidrelétrica de Jirau, o preço foi de R$ 91/MWh (ambas no Rio Madeira), a hidrelétrica de Belo Monte (Rio Xingu), o preço foi de R$ 78,00/MWh, e o resultado do primeiro leilão de energia eólica no Brasil deixaram o MWh em torno de R$ 148. Bem mais reduzido que o apontado pela Empresa de Planejamento Energético (EPE), que usou um preço mais alto da energia eólica para justificar a suposta viabilidade econômica da opção nuclear.
O custo das usinas nucleares que se pretende construir até 2030, duas no Nordeste e duas no Sudeste é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões cada uma. Valor este que poderá ser acrescido de 20 a 40% até o final da obra, como tem se verificado comumente, no caso de grandes obras em realização/realizadas no Brasil. As tarifas previstas para a eletricidade nuclear gerada nestas novas instalações são incertas, de cálculos não transparentes, mas que certamente afetará de maneira crescente a tarifa da energia elétrica no país.
A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país e na nossa região, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.
Heitor Scalambrini Costa é professor associado da UFPE
Coluna Gazeta Nossa primeira quinzena de Abril.
A Presidente Dilma Rousseff, nesses três primeiros meses de governo, deve ter surpreendido a todos por fazer uma gestão de continuidade sem continuísmo. Dilma conseguiu imprimir uma marca própria em seu governo e tende a continuar mantendo a boa avaliação que obteve no Datafolha. A Presidente montou uma equipe relativamente qualificada, evitando ceder às pressões do guloso PMDB e até então, tem acertado. Dilma acertou na política econômica, mantendo o tripé iniciado no Governo Fernando Henrique Cardoso e continuado por Lula, acertou na área social quando deu um reajuste nos programas que não recebiam aumento há um certo tempo, na política exterior tem mantido uma boa relação com os países que negociam com o Brasil, enfim, tem feito um governo acima da média. O grande desafio da Presidente é, sem dúvidas, o controle da inflação, que dá mostras que quer voltar a assombrar o bolso dos brasileiros. É necessário que Dilma Rousseff corte gastos públicos mais do que já cortou e que dê uma enxugada na máquina pública federal, para que esta seja mais eficiente. Manter a taxa de juros alta é a principal saída para o controle da inflação e a tendência é que Dilma continue restringindo o crédito, aumentando os juros e cortando gastos. Não se sabe efetivamente se Dilma recebeu uma herança maldita de Lula, também ela não pode explicitar se realmente for, porque foi eleita sob a força do ex-presidente. O contexto principal é que Dilma Rousseff, mesmo não tendo o traquejo político que Lula tinha, tem vasta bagagem gerencial, e sem dúvidas, preenche os requisitos que o Brasil necessita neste momento para viabilizar as reformas. Caso Dilma opte por deixar uma marca do seu Governo, a melhor alternativa é estruturar a Reforma Política, evitando que o STF legisle sobre uma coisa que depende exclusivamente do governo e do Congresso Nacional. O que pode ser feito na reforma política? Financiamento público de campanha, voto distrital misto e cláusula de barreira para os partidos. Este seria o tripé de uma reforma política decente para que o governo dela e os próximos não fiquem à mercê do fisiologismo necessitando fazer negociatas com a finalidade de garantir a governabilidade. A reforma tributária também é algo que Dilma pode fazer, a questão principal nem se dá na carga, que apesar de alta, não deve baixar, mantendo-se nos 35%. O foco deveria ser a criação do Imposto Único Federal, acabando com todas aquelas taxas que muitas vezes nem sabemos o que estamos pagando e por quê isso. Além do Imposto Único Estadual e do Imposto Único Municipal, seriam 3 impostos que o contribuinte saberia diretamente onde está pagando. Além do mais, Dilma deveria distribuir melhor a arrecadação, diminuindo de 70% do bolo tributário que fica pra União para apenas 50%, enquanto o do Estado aumentaria de 20% para 30% e o dos Municípios de 10% para 20%. Os recursos assim, chegariam mais próximos do povo. Dilma age corretamente também quando toma a decisão de entregar à iniciativa privada a gestão dos aeroportos, isso garantirá uma maior eficiência do setor e acabará com gargalos operacionais visando a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Caso Dilma continue fazendo um governo com ações positivas, a tendência é que ela possa ser reeleita em 2014 sem as dificuldades que encontrou em 2010.
Fernando Bezerra Coelho - Uma das grandes surpresas da equipe ministerial de Dilma Rousseff foi o pernambucano Fernando Bezerra Coelho, Ministro da Integração Nacional. FBC tem conseguido fazer um excelente trabalho à frente do ministério, que, apesar de pomposo por conta dos recursos, enfrenta dificuldades por ser o responsável para recuperação de catástrofes naturais e o pernambucano faz um trabalho tão bom que recebeu elogios consistentes da Presidente e se transformou em um dos melhores auxiliares dela.
Ficha Limpa - Foram muitas as demonstrações de decepção dos brasileiros com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a inelegibilidade dos Fichas Sujas, onde estes puderam assumir seus respectivos mandatos e a Lei da Ficha Limpa ficou para ser colocada em prática apenas em 2012. Apesar de tudo, o STF agiu corretamente, porque caso tivesse aprovado o Ficha Limpa para 2010 iria gerar uma insegurança jurídica muito grande no Brasil a considerar o preceito de que uma Lei não pode retroagir, ou seja, a decisão do Ficha Limpa não poderia tornar inelegíveis candidatos que foram eleitos antes de sua aprovação. A partir de 2012 os Fichas Sujas não poderão se candidatar. Esse passo foi dado e o Brasil só tem a comemorar.
Distritão - Tramita no Congresso Nacional uma Lei que determina que os eleitos para o Poder Legislativo serão os mais votados do processo inteiro, acabando com a influência do voto de legenda e do quociente eleitoral e partidário, consequentemente evitará que candidatos como Tirica puxem quatro ou cinco deputados com baixa votação.
Pierre Lucena - O coordenador do curso de Administração da UFPE Pierre Lucena é candidato a Reitor daquela Universidade, editor do Blog Acerto de Contas e Doutor em Finanças pela PUC-RJ, Pierre tem conseguido grande espaço entre alunos, professores e funcionários daquela instituição, pode ser a grande surpresa desta eleição. Seus adversários são Anísio Brasileiro e Gilson Edmar.
PSD e DEM - Conforme antecipamos aqui na coluna, o Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab saiu do Democratas e fundou o PSD, levou consigo a Senadora Kátia Abreu e o Vice-Governador de São Paulo Afif Domingos, Indio da Costa, candidato a vice de Serra em 2010, também saiu do Democratas e tende a ir para o PSD de Kassab, consequentemente esvaziando o DEM.
PSD e PSB - Muito provavelmente, mais a frente, Gilberto Kassab e seus aliados do PSD migrarão para o PSB de Eduardo Campos, transformando este partido numa legenda com musculatura nacional, viabilizando assim a candidatura do Governador de Pernambuco a Presidência da República em 2014, fato também comentado aqui.
Humberto Costa - O Senador petista tem feito um excelente mandato na Câmara Alta, assumiu a liderança do PT na Casa e goza de prestígio junto ao Governador Eduardo Campos e a Presidente Dilma Rousseff, Humberto é uma liderança com excelente trânsito dentro do PT e fora dele.
PSDB - É uma questão de tempo, o Deputado Daniel Coelho deverá mesmo se filiar ao PSDB, saindo do PV, partido onde exerceu dois mandatos de vereador do Recife e por onde foi eleito Deputado Estadual em 2010.
Etanol - É inadimissível que o Brasil seja produtor de Etanol, o álcool combustível, e o mesmo tenha disparado o preço nas bombas. Pelo atual preço, a Gasolina volta a ser a melhor alternativa para os carros flex, consequentemente poluindo mais as ruas do Brasil.
Estacionamento - Se você utiliza o estacionamento do Shopping Recife pode se preparar. Há rumores que o valor pago por quatro horas naquele centro comercial passará de R$ 4,50 para R$ 5,00. Um aumento de 11%. Poderia ser normal se este valor não tivesse reajuste todo ano. Nada justifica este valor abusivo. Esperamos que aumente de quatro para cinco horas a permanência naquele estacionamento pagando este novo valor. Se for assim, menos mal.
