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“Governo João Paulo foi uma fraude”

{ Posted on 00:43 by Edmar Lyra Filho }

Crítico ferrenho do modus operandi do PT em todo o País, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, acredita que a Era João Paulo (PT) no comando do Recife não passa de uma “fraude”. Para o tucano, o ex-prefeito - a quem chamou de uma pessoa “simpática” - é responsável, apenas, por ações pontuais, que não trouxeram nada de “progressista” para a cidade. Coincidência ou não, o parlamentar concedeu esta entrevista à Folha na cobertura onde mora, em Piedade, na última terça-feira, no exato momento em que, bem perto dali, em Boa Viagem, João Paulo inaugurava, na companhia do presidente Lula (PT), a primeira etapa de sua mais grandiosa obra: o Parque Dona Lindu. Questionado sobre a viabilidade do parque, Sérgio Guerra chamou-o de uma “manifestação primitiva, pretensamente intelectual, do ex-prefeito”, para depois taxá-lo de inviável do ponto de vista econômico e arquitetônico.

O prefeito João Paulo entregou, na última quinta-feira, a primeira etapa do Parque Dona Lindu com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), filho da homenageada. Para o senhor, a obra era necessária?

O presidente Lula tem uma clara consciência do seu conteúdo eleitoral. Ele sabe que as suas reservas mais sólidas estão no Nordeste e nos estados que tenham maior componente de pobreza. Pernambuco não é exatamente o estado mais pobre, mas é, seguramente, onde a simbologia da pobreza das forças socais é mais evidente e histórica. Lula compreende isso, por isso fez algumas dezenas de visitas a Pernambuco, este ano (2008) já vão cinco. Quem não compreende isso direito é quem fez essa obra do Parque Dona Lindu - uma justa homenagem à mãe pernambucana do presidente da República que é pernambucano também. É um projeto num lugar completamente inadequado. Preciso vê-lo concluído para considerá-lo um bom projeto. A primeira impressão não é positiva, mas é cedo para dizer se é ou não um bom projeto. Tem que ver o funcionamento dele, o conjunto da arquitetura dele, qual vai ser o componente estético final. Agora, fica claro que não faz sentido construir um bloco de concreto armado daquela dimensão na frente do mar. Não tem muito a ver nem com a arquitetura nem com o ambiente que está em torno dele. O prefeito João Paulo, num dia desses, disse uma besteira monumental. Afirmou que é uma espécie de Taj Mahal. Nunca na minha vida eu vi tanta falta de competência intelectual, nunca na minha vida! Não se deveria falar besteira. Agora, evidentemente que um projeto de Oscar (Niemeyer) é um projeto de Oscar. Agora, há projetos de Oscar, projetos de Oscar e projetos de Oscar. Vamos ver como será esse.

Então, o senhor não aprova a estratégia do ex-prefeito João Paulo?

De toda maneira não faz sentido, não é culturalmente adequado. Arquitetonicamente não me parece adequado. Enfim, uma manifestação primitiva, pretensamente intelectual do ex-prefeito do Recife. Se esse (João da Costa) é a continuação dele, dos dois. Do ponto de vista econômico também. Uma cidade como o Recife, com um monte de gente na lama... Trinta milhões num projeto desses é uma manifestação absurda. Mas engraçado é dizer que faz isso, que é popular e que é da esquerda. Não dá para levar a sério. É natural que o presidente venha aqui para inaugurar uma obra do prefeito do partido dele. Não sei nem qual o julgamento que o presidente faz do prefeito. Não estou certo de que seja positivo. Agora, de toda maneira, ele está aí inaugurando uma obra que tem o nome da mãe dele. Nós queremos dizer que é uma homenagem justa.


Qual a avaliação que o senhor faz dos oito anos de mandato do prefeito João Paulo?


Veja, o que é que se pode esperar de um governo que se diz popular? Volta lá atrás no primeiro Governo Miguel Arraes, que foi da Prefeitura do Recife. Produtos desses governos entre outros, o Movimento de Cultura Popular, um novo padrão para a educação brasileira, um novo conteúdo para a política popular progressista que passa pela educação de fato. Avança no tempo e chega ao Governo de João Paulo. Sinceramente, Gustavo Krause estava à centena de metros dele no sentido da esquerda do ponto de vista prático, que é o que importa. E ele repete aí um governo convencional, sem grandes obras. Se pelo menos ele reestruturasse o Recife, se investisse na infraestrutura da cidade, se cuidasse do transporte de maneira real - nada de maquiagem, soluções conjunturais de botar o trânsito para lá e para cá, que inclusive não era idéia dele, era na realidade da EMTU no Governo de Jarbas. É um governo que não tem o que dizer. Algumas obras nos morros que não são tão significativas assim. Lá atrás muita coisa já havia sido feita, mais do que ele fez. Do ponto de vista de habitação popular, zero. Do ponto de vista de saneamento, quase nada. Do ponto de vista da Educação, um flagelo. Do ponto de vista de Saúde outro flagelo. Do ponto de vista da cidade, da inspiração progressista da cidade, cultural da cidade, educacional da cidade, nada. Festa, festa e festa! Um processo de animação para uma grande parcela da população que muitas vezes não tem conteúdo político...

Política do “pão e circo”?

É um exagero chamar “pão e circo”. Evidentemente que nada de real. Nada de concreto, nada de progressista, nada de avançado. Nada que tivesse a ver com a verdadeira tradição do Recife, que está marcada lá atrás em muitos episódios. Eu acho - e nada de pessoal contra João Paulo, que é muito simpático - que o governo dele é uma fraude. E que essa fraude se desvendará.

O senhor lembrou agora há pouco o primeiro Governo Arraes. Quais as semelhanças que o senhor encontra entre as gestões do ex-governador, falecido em 2005, e do seu neto, Eduardo Campos?


Acho que Eduardo vive em um ambiente completamente diferente do que Arraes viveu. Arraes viveu três governos. O primeiro, na véspera do golpe de 64, quando ele liderou um processo de revolta popular não apenas em Pernambuco, mas no Brasil. Volta ao Governo depois do período autoritário com uma grande votação popular e realiza uma obra de reconciliação e pacificação política do Estado. Depois, atuou no campo que ele sempre atuou, do movimento popular para os camponeses, pequenos produtores. E fez grande esforço do ponto de vista de Suape. Eu fui até instrumento de grande parte desse esforço porque fui secretário dos dois governos dele. Avançou bastante na área de Ciência e Tecnologia, levou a sério a questão da Educação, um governador de qualidade. Agora, é claro que submetido às regras nacionais que o pautavam e sem a facilidade de recursos federais que hoje se dá. O Brasil não crescia nada, os investimentos eram mínimos, e menos ainda esses investimentos se davam no Nordeste, onde a economia era estruturalmente fraca. Agora não é assim. O Brasil tem superávit, o Brasil cresce. Ou pelo menos até ontem quando o mundo também crescia de forma bastante acentuada. Eduardo encontra um novo ambiente que não teria se dado se não houvesse o Governo de Jarbas Vasconcelos (PMDB) antes do dele. Que estruturou a base para que as iniciativas prosperassem no Governo dele. A questão da refinaria vem de muito tempo atrás, avançou no Governo Jarbas e se consolida no de Eduardo. O estaleiro, que se estrutura antes, no Governo de Jarbas, amadurece e se desenvolve no Governo de Eduardo. Todo o movimento de infraestrutura: duplicação da BR 232, modernização do Aeroporto Internacional do Recife, são coisas simbólicas e economicamente reais. Elas se concretizavam praticamente antes e favoreceram a base pela qual o Governo de Eduardo avança. Eduardo encontrou um Estado equilibrado do ponto de vista fiscal e financeiro. É natural, previsível e provável que ele tivesse reclamações a fazer, e as fez. Mas é importante reconhecer que o Estado que Jarbas deixou é bom de se governar.

Então, a avaliação que o senhor faz desses dois anos do Governo Eduardo Campos, mesmo na oposição, é positiva?


Acho que Eduardo tem um grande esforço de governo, com algumas áreas críticas. Eu citaria Saúde e Segurança, que ele tem cuidar muito. Reconheço que ele tem feito grande esforço. Mas esse esforço é muito mal sucedido. Eu não torço para dar errado. Tem um sentimento aqui primitivo de que quem está na oposição, quem enfrenta o governo, tem que torcer para dar errado. Eu não faria isso nunca. Nunca fiz isso. Era deputado federal, colaborei com todos os governos que eram adversários aqui. Inclusive, com o próprio Jarbas, quando eu era do PSB e ele do PMDB. Com Roberto Magalhães (DEM), quando era oposição a ele. Com Joaquim Francisco (DEM), quando era da oposição a ele. Acredito que a nossa divisão aqui é irreal do ponto de vista das questões do Estado. Sobre ela nós não podemos nos dividir. Sobre outras, tudo bem. Eu quero dizer que o Governo de Eduardo vai mal nas áreas de Saúde e Segurança. Mas eu não posso deixar de dizer também que eu conheço João Lyra Neto (PDT / vice-governador e secretário estadual da Saúde), que uma vez me apoiou para deputado federal, e que fiz a campanha toda dizendo o que eu achava de João Lyra, que um dos administradores públicos mais competentes que eu conheço. É verdade isso! Eu acho isso. João deve estar enfrentando enormes obstáculos para construir um governo eficiente, que ele gostaria.

Trata-se de uma pasta complicada. O senhor não acha?

Essa área é explosiva no Brasil inteiro. Eu acompanhei nessa eleição de presidente no Brasil todo e o tema central para 90% dos brasileiros onde havia mais vulnerabilidade era a questão da Saúde (Em 2006, Sérgio Guerra foi o coordenador-geral da campanha do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmim, do PSDB, à Presidência da República). Aqui em Jaboatão era a questão da Saúde. Lá no centro-sul, no Sudeste, em todo o lugar. A questão da Segurança em Pernambuco tem enquadrado no mau sentido governadores. Ninguém tem conseguido construir uma solução absoluta; um esquacionamento mais produtivo para que se mostrassem resultados. Eu não vejo evolução nenhuma. Acho que o quadro está caótico, mas torço para isso tudo dar certo.

Há alguma possibilidade de uma aliança entre o seu grupo e o do governador em Pernambuco, haja a vista o fato de o senhor ter tido sua formação política no arraesismo?


Não. No campo político temos lados bem definidos. Saí do PSB e ingressei no PSDB porque sou um social-democrata, acredito na social-democracia. Respeito Eduardo Campos, mas meu campo é outro.

A oposição se articula para lançar um nome forte que reuna as condições para derrotar Eduardo Campos, em 2010. E o seu é tido como um dos mais viáveis. O senhor aceitaria ser candidato do grupo de forças que outrora formou a antiga União Por Pernambuco?


Sou candidato ao Senado. Meu trabalho é para renovar meu mandato de senador. Acredito que o nome com mais força para vencer os governistas é o do ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Trabalho com essa alternativa.

E Jarbas aceitaria ser candidato?

Ele será candidato.



Folha de Pernambuco

Artigo: Luiz Gonzaga - 96 anos

{ Posted on 02:07 by Edmar Lyra Filho }

Inocêncio Oliveira // Deputado

Dia 13 de dezembro, o nosso querido Luiz Gonzaga completaria 96 anos de idade. Para mim, tal qual o rei do baião, sertanejo de Pernambuco, não basta somente a Lei nº 11.176/05, que instituiu aquele data como o dia do forró, para homenageá-lo. Isso é muito pouco para quem tanto fez pelo Sertão, para quem cantou o Nordeste sem de nada esquecer e para quem encantou a alma do povo brasileiro com sua sanfona e sua voz inconfundível. Enquanto uma fogueira arder na frente da casa do sertanejo, numa noite de São João; o silêncio dos mandacarus for quebrado pelo bater de asas de uma solitária asa branca; os gemidos dos punhos de uma rede fizerem coro ao canto da mãe que o filho embala; o gibão, as perneiras, o guarda-peito, o chapéu de couro, o chacoalhar das rosetas das esporas ao andar vaqueiro, tudo isso somar-se ao eco do seu aboio nas caatingas sertanejas; o rangido dos gonzos de uma porteira; o trote compassado de um cavalo bom de sela; e o som do zabumba, do triângulo e da sanfona chegar aos nossos ouvidos pelos embalos nostálgicos das lembranças, o saudoso Lua, de uma forma ou de outra, será festejado e encherá de festa nossos corações.

Sua estada nas forças armadas serviu para ampliar seu domínio sobre diversas culturas populares. Foi durante uma temporada que passou em Minas Gerais que Gonzaga conheceu aquele ritmo gostoso, bom de dançar e de cantar, e de se ouvir também: o Calango. Naquelas paragens itinerantes, aos poucos, tudo quanto era novidade, - e não eram poucas para quem só conhecia Exu e a circunvizinhança juntou todas suas economias, e como não tinha profissão definida, adquiriu a única ferramenta que lhe serviria naquele momento: a sanfona, que terminou sendo sua eterna companheira. "Quando eu boto ela no peito sinto o mundo em minhas mãos" dizia ele, referindo-se àquele instrumento que fez parte dos momentos mais significativos de sua vida.

Superou-se a si mesmo. Fez da sanfona uma jangada e do seu canto original o leme para atravessar esse mar de obstáculos e alcançar o reino que o esperava em festa, ao som de "asa branca". Começou só e reinou sozinho. Deixou inúmeros seguidores. Alguns deles como Dominguinhos, Marinês, Trio Nordestino receberam dele incentivos tão intensos que se tornaram decisivos para a consolidação de suas carreiras.

A Dominguinhos ele cansou de dizer: você vai ficar no meu lugar. Hoje são incontáveis seus seguidores. A fazenda São Miguel, em Serra Talhada, minha terra natal - e como eu gosto de dizer isso! - é celeiro de sanfoneiros. Uma característica interessante nos sanfoneiros da atualidade é a rapidez nos dedos durante a execução de uma melodia. Zé Marcolino, compositor de Luiz Gonzaga, em "salão de barro batido" onde fala de uma noitada de forró, faz referência aos dedos do tocador de sanfona: Zé Marcolino, meu amigo; Zé Dantas, conterrâneo do Pajeú; e Humberto Teixeira, nordestino, foram os três pilares que alimentaram Gonzaga durante sua trajetória musical, sem esquecer, evidentemente, do pernambucano João Silvade Arcoverde que compôs inúmeras músicas para o Rei e do qual era amigo próximo. No dia 2 de agosto de 1989 silenciou para sempre aquele aboio que só ele sabia fazê-lo com a melodia da saudade. Já deve ter se encontrado com outros sanfoneiros que, como ele, cantaram em prosa, verso e sanfona, o nosso Sertão e todo o Nordeste.

Artigo Publicado no Diário de Pernambuco, 4 de Janeiro de 2009.

Jarbas: a esperança da oposição em 2010.

{ Posted on 22:46 by Edmar Lyra Filho }
Por Edmar Lyra

Tenho acompanhado o noticiário local, as matérias jornalísticas sobre política, e dá pra se observar que ao que tudo indica, o Senador Jarbas Vasconcelos disputará o Governo de Pernambuco novamente. Possívelmente, contra Eduardo Campos(PSB) disputando a reeleição ou contra o ex-prefeito João Paulo(PT), caso o primeiro seja alçado a uma chapa presidencial.

Jarbas foi um dos melhores governadores da história de Pernambuco, é público e notório sua capacidade como gestor, sua austeridade e o respeito que ele adquiriu ao longo de sua carreira política. Nos seus dois governos, Jarbas reestruturou Pernambuco, que, no governo Arraes sob o comando de Eduardo Campos, então Secretário da Fazenda, afinal era Eduardo quem dava as cartas no governo Arraes, quebrou na forma literal da palavra por conta da falta de investimentos em infra-estrutura e de um projeto voltado para o desenvolvimento.

Pernambuco com Jarbas teve motivos para sorrir, passou a ter uma infra-estrutura invejável a muitos estados considerados desenvolvidos do sul e sudeste. Com Jarbas, Pernambuco voltou a ter posições de destaque na atração de investimentos. Jarbas em oito anos de governo, equilibrou as contas do estado, organizou algumas autarquias que eram consideradas "perdidas" como o DETRAN por exemplo, que se tornou um ótimo exemplo de serviço público, além de ter duplicado a BR-232, levando desenvolvimento para todo o estado.

Se Pernambuco hoje tem condições de receber investimentos da magnitude da refinaria de petróleo, da hemobrás, da indústria de PET, entre outros, isso se dá pelo ajuste econômico que Jarbas deu a Pernambuco em seu governo. É bem verdade que Jarbas enfrentou problemas, como a questão da segurança pública. Mas, em relação ao que ele encontrou depois do governo Arraes, Pernambuco foi entregue a Eduardo Campos de uma maneira muito melhor.

Hoje, Eduardo Campos tem uma aprovação de 79% graças ao que ele encontrou, e fazendo um comparativo de gestões, observando-se obras e ações, o Governo Jarbas está anos-luz à frente do Governo Eduardo. Afinal, Eduardo não tem nada concreto a apresentar a população que ele próprio construiu e implementou.

É bem verdade que questionarão: Ah, mas Eduardo já está prestes a entregar um dos hospitais que ele prometeu, como não construiu e implementou ? Então, diagnosticamos que mesmo Eduardo Campos construindo todos os hospitais que ele prometeu, ele não irá desafogar a restauração, muito menos resolverá a questão da saúde no estado.

Pelo simples motivo que a construção de um hospital é investimento, a manutenção é custeio, é muito mais fácil você construir do que manter. O Governo Jarbas construiu o Procape, porém, o Procape ainda não está 100% funcionando. Por qual motivo ? É simples, não adianta você construir qualquer coisa sem ter um planejamento nem um modelo de gestão para tal investimento.

Não digo que Eduardo construindo todos os hospitais é certeza que ele não vai deixá-los funcionando em sua capacidade plena. Mas, é uma questão muito difícil de ser mantida. Um hospital é muito difícil de ser gerenciado. Vide o Procape como exemplifiquei anteriormente. Sobretudo, diante de uma crise econômica sem precedentes como esta, que a tendência é um enxugamento da máquina pública, uma retração de investimentos e sobretudo a diminuição de custeios.

Portanto, haverá um embate em 2010 de dois governos bem avaliados pela população. O diferencial é que um teve o trabalho de estruturar a máquina pública, e o outro apenas pegou o bonde andando, depois de ter deixado Pernambuco quebrado quando fazia parte do governo.

Henry: oposição desde o primeiro dia

{ Posted on 22:22 by Edmar Lyra Filho }

Ex-candidato à Prefeitura do Recife, o deputado federal Raul Henry (PMDB) mostra-se disposto a “revitalizar” o PMDB em Pernambuco e, com isso, cumprir o seu papel como oposição no Estado, principalmente, em relação ao prefeito recém-empossado, João da Costa (PT). Em entrevista à Folha, o peemedebista defendeu uma marcação cerrada desde primeiro dia da gestão petista. Henry aposta no potencial político do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) para disputar o Governo do Estado, no próximo pleito. E atacou a gestão Eduardo Campos (PSB): “A Educação e a Saúde, que ele ficou de enfrentar, não apresentam resultados satisfatórios”, reclama o parlamentar, acresentando que a principal ação promocional da administração socialista se baseia nos frutos do Governo Jarbas.

Passado o pleito municipal, o senhor a que atribui a vitória governista?

A coisa mais importante dessa eleição foi a conjuntura que existia no País, que favorecia o discurso da continuidade, tanto que, na grande maioria das cidades, foi o discurso da continuidade que venceu a eleição. Foi assim em São Paulo, em Fortaleza, em Salvador, em Porto Alegre. O que percebíamos, no início do ano, quando fazíamos pesquisas, é que a população estava muito satisfeita com a vida. Quando você tem, numa conjuntura, essa variável, ela é determinante no resultado eleitoral. E no Recife não foi diferente. É inegável que havia aprovação do prefeito João Paulo, mas, mesmo assim, a eleição foi definida por 51% a 49%.

Pode-se interpretar esse resultado como uma falha da oposição?

O que havia nessa conjuntura nacional era ampliação do emprego, da renda, um aumento do consumo, uma expansão do crédito. A conjuntura econômica é determinante no grau de satisfação das pessoas com a vida.

O senhor subiu de 5% para 16%. Isso significou uma vitória sua pelo fato de o senador Jarbas Vasconcelos não transferir votos?

Acompanhamos a campanha toda com pesquisas e Jarbas é uma pessoa que tem uma grande aprovação, um grande respeito da população. O governo dele, olhado restrospectivamente, goza de um grande conceito junto à população do Recife. A questão é que nós tivemos três candidaturas do mesmo campo de forças, inclusive, com dois candidatos que receberam o apoio de Jarbas nas duas eleições anteriores, Cadoca (PSC), em 2004, e Mendonça Filho (DEM), em 2006. Então, as pessoas diziam que Jarbas pede voto para aquela pessoa que é o candidato dele naquela eleição. E isso relativizou o peso do pedido de voto dele. Mas ele, pessoalmente, tem um grande conceito e uma elevada taxa de aprovação.

Jarbas chegou a proibir que Mendonça usasse a imagem dele no guia eleitoral durante a campanha. Agora, com a reedição da União por Pernambuco, vocês voltam a se unir novamente. Isso, às vistas da população, não pode soar como contraditório?

Não. Na campanha de 2006, a oposição saiu com dois candidatos, que foram Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB), e ganhou a eleição (com Eduardo). Então, cada eleição tem sua história. Nessa eleição de 2008, o que nós sentimos é que os partidos tinham o desejo de apresentar os seus projetos, os seus quadros políticos. Quando essa realidade se coloca, é preciso respeitar as variáveis e os projetos dos partidos.

O senhor poderia fazer uma avaliação do Governo João Paulo?

Tem erros e acertos. Os principais erros do Governo João Paulo, e a gente viu isso na campanha muito de perto, são as áreas de Saúde, Educação e a falta de uma política para juventude. Os países que conseguiram enfrentar o drama da violência o fizeram com duas políticas: uma repressiva e uma preventiva. E no caso das prefeituras, é obrigação realizar essa política preventiva baseada em cultura, esportes, lazer e qualificação profissional. A juventude está se perdendo na violência e na droga porque não tem nenhuma perspectiva, não há uma política municipal ampla de apoio a essa juventude.

Apesar dessas deficiências apontadas, João Paulo elegeu o sucessor, João da Costa, que partiu dos 3%. A que você atribui essa força política do ex-prefeito?

João da Costa era candidato de um conjunto muito poderoso de forças. Um presidente aprovado, um governador com boa taxa de aprovação e um prefeito também. Então, ele era um candidato desse conjunto de forças. Havia 500 candidatos a vereador fazendo campanha, uma mega estrutura de campanha.

No início da campanha eleitoral, o senhor denunciou o uso da máquina em benefício de João da Costa. Hoje, só o DEM continua agindo judicialmente para tirar o mandato do petista. Uma segunda eleição, não seria um boa oportunidade para o senhor?

O que eu fiz no período de pré-campanha, no mês de maio, foi levar, ao Ministério Público (MPPE), 11 matérias de jornais locais e nacionais onde havia evidências de uso da máquina na campanha. Defendemos que não era justo, desequilibrava o jogo eleitoral. Depois disso, quem cumpriu o seu papel foi o MPPE e a Polícia Federal. E eu disse, no dia da coletiva em que reconhecia a vitória de João da Costa (PT), que essa era uma questão que agora pertencia à Justiça. O que nós fizemos foi colocar o tema no debate político. Cumpri o papel de cobrar que a eleição ocorresse em termos iguais.

Ficou alguma mágoa da campanha de 2008?

Não, muito pelo contrário. A campanha para mim foi uma experiência positiva e enriquecedora. Tínhamos um índice muito alto de desconhecimento da população. Na primeira pesquisa, com o início do programa eleitoral, 43% das pessoas diziam que nunca tinham ouvido falar no meu nome. Na última pesquisa, eu era o candidato, no dia da eleição, que tinha a menor taxa de rejeição. Crescemos na campanha, apresentamos uma proposta para cidade e era essa a razão de ser da nossa candidatura. Cumprimos o papel.

Agora, já diante do governo de João da Costa, como deve agir a oposição?

João da Costa era a peça-chave da equipe de João Paulo, foi secretário de Planejamento. Então, o que vai estar acontecendo na Prefeitura é o nono ano de uma gestão. Isso justifica a oposição desde o primeiro dia. Há áreas que têm que ser acompanhadas e cobradas. A educação municipal do Recife é uma das piores do País, de quarta a oitava série é a pior. O sistema municipal de saúde não tem nenhuma capacidade de resolver o problema da população, tanto que as emergências gerais dos hospitais do Estado vivem lotadas. E não há nenhuma política estrutural ampla para essa juventude que está matando e morrendo nas ruas.

Como o senhor avalia os dois anos da administração do governador Eduardo Campos?

Eduardo, na campanha eleitoral (de 2006), baseava a crítica dele ao Governo de Jarbas no argumento de que Jarbas tinha investido apenas em infraestrutura e não tinha cuidado do social. Hoje, é possível afirmar que a principal ação promocional do Governo de Eduardo se baseia nos frutos do Governo Jarbas que ele está colhendo, que são os investimentos em Suape e o crescimento econômico de Pernambuco. As duas grandes questões que ele ficou de enfrentar, Saúde e Segurança Pública, até agora não apresentam resultados satisfatórios, mesmo tendo chegado à metade do seu Governo.

A União por Pernambuco vai ser reeditada e já há acerto entre o DEM, o PMDB e o PSDB. Há negociação com o PV e o PPS?

Eu acho que o PPS e o PV estão no mesmo campo nosso. O que nós percebemos, hoje, é que há uma tendência muito natural de uma reunificação dessas forças para eleição de 2010.

O PV municipal, no entanto, está tentando estabelecer uma costura com o governador Eduardo Campos para 2010...

Eu não tenho notícias internas do PV. Mas se o candidato a presidente for José Serra (PSDB), ele tem uma excelente relação com o PV nacional. Claro que tudo isso são conjecturas ainda. Acho absolutamente possível que eles fiquem no nosso campo de forças.

Quem seria o candidato da reedição da União por Pernambuco para 2010?

Nós temos vários nomes. Já foram colocados os de Sérgio Guerra (PSDB), do próprio Jarbas, de Marco Maciel (DEM), de Roberto Magalhães (DEM). Mas essa é uma decisão que vai ser tomada no momento oportuno, adequado.

E isso foi percebido com o resultado das eleições de outubro...

Foi percebido com o resultado da eleição, mas isso é notório nas conversas. A gente identifica qual é o anseio dos partidos. Da mesma forma que, em 2008, todo mundo queria lançar seu candidato, hoje há uma tendência de reunificação da aliança.

Jarbas expressou-se em favor de Sérgio Guerra para disputar o Governo do Estado. Guerra devolveu a bola para Jarbas. Qual o mais cotado internamente?

Essa discussão nós não vamos ter agora. O importante é que nós temos mais uma alternativa.

Quais as previsões da aliança para janeiro. A deputada estadual Terezinha Nunes confirmou uma conversa...

Encerrando 2008 e começando 2009, é natural que os partidos voltem a conversar para definir estratégias, inclusive, de como exercer o papel de ser oposição. Discussão sobre nome eu acredito que só vai acontecer em 2010.

O senhor tem pretensões de tomar as rédeas do PMDB a nível regional?

Eu pretendo participar desse trabalho de revitalização do partido, de reorganização, para que, em 2010, ele seja competitivo com uma boa chapa de candidatos a deputados.

Quais as inovações previstas? Algo definido já, alguma mudança?

Não. Nós precisamos iniciar um processo de articulação com lideranças políticas, do Recife, da Região Metropolitana, do Interior, convidá-las para participar. O partido, depois do PT, é o mais citado pela população como da sua preferência.

E quais são os seus planos para 2010?

Vou tentar uma reeleição para Câmara.

O que acha das críticas feitas pelo prefeito João Paulo ao Ministério Público?

Acho um grande equívoco acusar o Ministério Público e a imprensa de estarem politizando essas iniciativas (as várias ações movidas contra irregularidades na PCR). São duas insituiçoes que têm grande papel na democracia. E a obrigação de quem é acusado por instituiçoes a quem cabe exercer o controle sobre a administração pública é de se defender de maneira convincente, e não fazer acusações vagas como essas.

Não se vê forte oposição ao Governo Lula....

O Governo Lula foi beneficiado porque o mandato dele coincidiu com a maior fase do crescimento da história do capitalismo. O mundo cresceu em cinco anos, com taxas superiores a 5%, e a economia brasileira naturalmente surfou nessa onda de crescimento.

O mérito seria então da economia mundial e não da política financeira do Governo Lula?

Eu acho que Governo Lula teve o mérito de manter uma política econômica que foi basicamente a continuidade da política econômica do Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que foi uma política econômica que preservou a moeda, que garantiu estabildiade. Em vários momentos, como agora, errou na dose da taxa de juros. Mas garantiu a estabilidade da moeda, porque, na inflação, quem mais perde são os mais pobres. Garantir a estabilidade da moeda é uma coisa fundamental para que você crie as condições para que a economia se desenvolva, para que as pessoas possam consumir.

Na sua concepção, quais pontos podem ser atacados pela oposição para ganhar espaço diante desse cenário favorável ao Governo?

Um exemplo é que o Governo Lula está dizendo agora que todo o esforço dele vai ser no investimento, mas foi um Governo que aumentou muito o custo do Estado brasileiro. A economia cresceu, o Brasil aumentou a sua arrecadação, mas isso não foi transformado em investimento. Tudo foi gasto com custeio. A folha de pagamento da união vai sair de R$ 70 bilhões para R$ 135 bilhões, no próximo ano. Um recurso que deveria ser investido para o País crescer, com ampliação e requalificação da infra-estrutura, foi praticamente todo desperdiçado com o custeio da máquina. São coisas que têm que ser apontadas. E nós temos uma outra variável relevante, que é um candidato à Presidência da República que é favorito, identificado pela população como a pessoa mais preparada e qualificada para ser o presidente do País, que é José Serra (PSDB).

Folha de Pernambuco

Agripino anuncia apoio a Garibaldi

{ Posted on 22:20 by Edmar Lyra Filho }

Do Terra

O líder do Democratas no Senado, José Agripino Maia (RN), anunciou, nessa quinta-feira, o apoio à reeleição do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN) para a presidência da Casa e disse que vai trabalhar junto ao partido pela candidatura do conterrâneo.

Segundo ele, a decisão de votar em Garibaldi é pessoal e deve ser mantida mesmo que o DEM não feche o apoio ao peemedebista. "O que me cabe é me posicionar como senador. Eu voto em Garibaldi e disse isso hoje a ele", afirmou.

O democrata havia conversado com Garibaldi sobre a candidatura horas antes, quando os dois viajaram para a posse da prefeita de Mossoró, Fátima Rosado (DEM), aliada política de ambos.

Agripino lembrou que reuniu o apoio do seu partido e do PSDB quando Garibaldi foi candidato pela primeira vez, mas agora não acha que será possível garantir os mesmos votos.

Reformas Política, Eleitoral e Tributária voltarão à pauta da Câmara

{ Posted on 22:18 by Edmar Lyra Filho }
Do IG

Duas grandes reformas para o País estão em tramitação na Câmara dos Deputados. A primeira, chamada Reforma Tributária, foi aprovada pela comissão especial formada para analisá-la, e espera apenas o aval do plenário da Casa antes de seguir para o Senado, enquanto a Reforma Eleitoral foi votada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e será analisada por uma comissão especial no início deste ano. Uma terceira reforma, a Política, também pode integrar a pauta de projetos do parlamento este ano.

Relatada pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO), a Reforma Tributária prevê punições como a perda de transferências de recursos de fundos constitucionais para os estados que insistirem na guerra fiscal. Adiada de 2016 para 2020 o início da cobrança do ICMS no estado de destino da mercadoria, e não mais na origem, e estabelece que 2,3% da arrecadação do Imposto de Valor Agregado (IVA) será destinado a investimentos em infra-estrutura de transportes. Hoje, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) financia esses investimentos.

O projeto também cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, que terá recursos do IPI, do Imposto de Renda, e futuramente do IVA Federal para beneficiar estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A PEC institui ainda a criação do Código do Contribuinte e adota critérios de proteção ambiental no rol de exigências para a concessão de isenções e outros benefícios fiscais.

Valério ameaça ''abrir o bico'' e provocar um tufão

{ Posted on 22:06 by Edmar Lyra Filho }
Denunciado por formação de quadrilha e calúnia, o ex-operador do mensalão Marcos Valério completa no dia 10 de janeiro três meses de cadeia. Sua mulher, Renilda Maria, tem dito a vários petistas que o marido suporta até mais um tempinho atrás das grades sem abrir o bico. Só não admite que os credores, entre os quais a Receita Federal, tomem na Justiça a fazenda do casal, a Santa Clara, na cidade mineira de Caetanópolis, a 100 quilômetros de Belo Horizonte. Valério deve 100 milhões de reais.
(VEJA - Márcio Aith)

Um racha à vista: Eduardo, João Paulo e Dilma

{ Posted on 22:00 by Edmar Lyra Filho }

Ameaça rachar o palanque de 2010 em Pernambuco, estado natal do presidente Lula. Os personagens de uma eventual briga entre PT e o PSB são Dilma Rousseff, João Paulo – o ex-prefeito da capital – o governador Eduardo Campos e o deputado cearense Ciro Gomes.

Campos, presidente nacional do PSB e aliado essencial de Lula para apoiar Dilma na sucessão, vive um dilema. Pode lançar Ciro Gomes à Presidência e fechar o palanque para a petista ali, ou apoiá-la abertamente, sem Ciro na disputa.

O problema é que João Paulo, apesar de aliado do governador, já confidenciou que quer disputar o governo pelo PT.
Vai a Brasília semana que vem conversar com Dilma e o chefe sobre suas viagens ao interior este ano. E Campos se mostra muito desconfiado desse papo.

(Informe JB - Leandro Mazzini)

Resultado final da enquete.

{ Posted on 02:29 by Edmar Lyra Filho }
Dentro do PSDB, qual candidato tem mais chances de vitória e crescimento na sucessão presidencial ?

José Serra, Governador de São Paulo. (50%)

Aécio Neves, Governador de Minas Gerais.(40%)

Arthur Virgílio, Senador do Amazonas. (10%)


Nova enquete.

Você concorda com uma chapa puro-sangue do PSDB para disputar a Presidência da República ?

Sim, Serra/Aécio
Sim, Aécio/Serra
Não.

Reservas internacionais terminam 2008 em US$ 206,8 bilhões

{ Posted on 02:22 by Edmar Lyra Filho }
Da Folha Online

As reservas internacionais do Brasil encerraram o ano de 2008 em US$ 206,806 bilhões. No final de 2007, estavam em US$ 180,334 bilhões.

Neste ano, as reservas chegaram a alcançar o valor recorde de US$ 209,386 bilhões no dia 6 de outubro.

As reservas do BC são contabilizadas no conceito de liquidez internacional, que não é afetado pelos empréstimos de dólares ao mercado feitos no último trimestre do ano passado.

No conceito caixa, que considera esse efeito, as reservas fecharam o ano em US$ 193,783 bilhões. De acordo com o último balanço divulgado pelo BC, os empréstimos de dólares somam cerca de US$ 13 bilhões.
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